Passadorama #02

Sedução da ordem

No episódio #02, Angélica Fontella, Eduardo Seabra, Rodrigo Elias, Thalyta Mitsue e nosso convidado especial Thiago Facina falam sobre o apelo da ordem. Puxando o gancho da intervenção militar no Rio de Janeiro (aprovada pelo DL 10/2018), tentamos historicizar o desejo por autoridade, principalmente do brasileiro, que flerta com um candidato fascista à Presidência em 2018.

Pauta: Rodrigo Elias

Edição: Eduardo Seabra

Locução: L. C. Csekö

Participações especiais:

Thiago Facina (Mestre em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e autor da dissertação “Eles que se matem”: notas sobre o varejo de drogas ilícitas nas favelas cariocas, 2013)

Nashla Dahás (doutora em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e autora de “O Movimiento de Izquierda Revolucionaria do Chile e a construção de uma memória radical para a América Latina” In: Janaína Martins Cordeiro; Isabel Cristina Leite; Diego Omar da Silveira; Daniel Aarão Reis. (Org.). À sombra das ditaduras. Brasil e América Latina, Mauad, 2014).

João Trajano Sento-Sé (professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), integrante do Laboratório de Análise da Violência (UERJ) e coautor de Polícia, segurança e ordem pública. Perspectivas portuguesas e brasileiras, Imprensa de Ciências Sociais, 2012)

 

Dicas:

“A origem dos deuses”, Coisas que você precisa saber #27 (Justificando, 2016: https://www.youtube.com/watch?v=oSLc4USDEwc)

A revolução dos bichos (George Orwell, 1945 – Livro)

Com Amor, Van Gogh (Dorota Kobiela, Hugh Welchman, 2017 – Filme)

Fruitvale Station: a última parada (Ryan Coogler, 2013 – Filme)

For your own good (Alice Miller, 2002 – Livro)

“Hated in the Nation”, Black Mirror (2016 – Série)

Indignos de vida: a forma jurídica da política de extermínio de inimigos na cidade do Rio de Janeiro (Orlando Zaccone, 2015 – Livro)

O experimento de aprisionamento de Stanford (Kyle Patrick Alvarez, 2015 – Filme)

O experimento Milgram (Paul Gibbs, 2009 – Filme)

“Os pobres vão à praia”, Documento Especial (Programa jornalístico de TV exibido em 1989: https://www.youtube.com/watch?v=kOzGFJZZVe8).

 

Músicas:

 

Referências

AGAMBEN, Giorgio. Estado de exceção. Trad. Iraci D. Poleti. São Paulo, Boitempo, 2004.

ANDERSON, Perry. Linhagens do Estado Absolutista. Trad. Telma Costa. Porto, Afrontamento, 1984.

ARISTÓTELES. Política. Edição bilíngue. Trad. e notas António Campelo Amaral e Carlos de Carvalho Gomes. Lisboa, Vega, 1998.

BAKUNIN. Textos Anarquistas. Trad. Zilá Bernd. Porto Alegre, L&PM, 2014.

BOBBIO, Norberto; MATTEUCCI, Nicola; PASQUINO, Giangranco. Dicionário de política. Tradução de Carmen C, Varriale et ai.; coord. trad. João Ferreira. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1998.

CHAMAYOU, Gregoire. Teoria do Drone. Trad. Célia Euvaldo. São Paulo, Cosac Naify, 2015.

CERQUEIRA, Daniel. et al. Atlas da violência 2017, Ipea e Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 2017. (http://www.ipea.gov.br/portal/images/170609_atlas_da_violencia_2017.pdf)

FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Org. e trad. Roberto Machado. Rio de Janeiro, Graal, 1979.

GROTIUS, Hugo. The rights of war and peace. Book I. Ed. Richard Tuck. Indianapolis, Liberty Fund, 2005.

HOBSBAWM, Eric. A Era das Revoluções (1789-1848). 10a Ed. Trad. Maria Tereza Lopes Teixeira e Marcos Penchel. São Paulo, Paz e Terra, 1997.

HOBSBAWM, Eric. A Era do Capital (1848-1875). 10a Ed. Trad. Luciano Costa Neto. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1996.

LEBRUN, Gerard. O que é poder. São Paulo, Brasiliense, 1981.

MACHADO DE ASSIS, “O Vergalho”, Capítulo LXVIII de Memórias Póstumas de Brás Cubas [1881] (http://www.ibiblio.org/ml/libri/a/AssisJMM_MemoriasPostumas/node71.html)

MARX, Karl. Manifesto Comunista. Trad. Álvaro Pina. Org. Osvaldo Coggiola. São Paulo, Boitempo, 1998.

MATHEUS, Leticia Cantarela. Narrativas do medo: o jornalismo de sensações além do sensacionalismo. Mauad X, 2011.

O GLOBO. Propaganda intervenção. Edição de 22/02/2018. (https://files.acrobat.com/a/preview/561e7811-edc1-481d-97a6-a3f1c95b6943)

PUBLICADO DECRETO DE INTERVENÇÃO NA SEGURANÇA PÚBLICA DO RIO DE JANEIRO. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2018/02/21/publicado-decreto-de-intervencao-na-seguranca-publica-do-rio-de-janeiro.

RAYNAUD, Philippe e RIALS, Stéphane. (dirs.) Dictionnaire de philosophie politique. Paris, Presses Universitaires de France, 1996.

SKINNER, Quentin. As fundações do pensamento político moderno. Trad. Renato Janine Ribeiro e Laura Teixeira Motta. São Paulo, Cia. das Letras, 1996.

SKINNER, Quentin. Machiavelli: A Very Short Introduction. New York, Oxford University Press, 2000.

THUMFART, Johannes. “On Grotiu’s Mare Liberum and Vitoria’s De Indis, Following Agamben and Schmitt”, in Grotiana, 30. Leiden, 2009.
*Rodrigo Elias citou o caso do ex-escravo Pancrácio na obra de Machado de Assis. Na verdade, trata-se do ex-escravo Prudêncio, em passagem do romance Memórias Póstumas de Brás-Cubas. Pancrácio é personagem de outro texto de Machado de Assis.

5 comentários

  1. Olá, se eu puder deixar uma dica gostaria que vocês fossem um pouco mais imparciais ao tratar certos assuntos. Durante o podcast ficou bem claro que a grande maioria ali era de esquerda, pois não houve tentativa de esconder, o que sinceramente não há problema. Contudo se a ideia do programa for informacional, seria melhor ser um pouco mais imparcial ou se tiver a necessidade de falar de x assunto partindo do seu ponto de vista partidário então ao menos informem aos ouvinte sobre os motivos que os fazem achar que o socialismo, por exemplo, é algo bom. Não comprando lados, apenas quero construir um pensamento crítico e pra isso necessita-se olhar ambos os lados e suas vertentes.

    Curtido por 1 pessoa

    • Caro Alefani, obrigado pelo comentário e pela observação! Não somos imparciais, e deixamos isso claro ao longo de todas as nossas falas. Mas também não somos partidários. Em nenhum momento defendemos partidos políticos de forma incondicional, pelo menos não fizemos isso até agora e não pretendemos fazê-lo. Até a próxima!

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  2. Inicialmente, eu gostaria de parabenizar a todas e todos que estão envolvidos na realização do Passadorama, que se tornou muito facilmente um dos meus podcasts preferidos.
    Sobre o episódio #2 – A sedução da ordem, que programa fantástico! Me chamou muito a atenção a discussão que se estabeleceu acerca da ideia de consciência histórica, e como não foi citado no podcast e também não vi nas referências, autores que tratem especificamente dessa ideia, resolvi pedir licença para dar uns pitacos (por ser algo que me interessa muitíssimo e por ter sido o que eu pesquiso desde a graduação e mestrado em História). Espero que sejam úteis e que eu não esteja falando muita besteira, rs.
    Por volta do minuto 26, quando o Rodrigo é questionado sobre o que justificaria a onda de conservadorismo e o anseio por ordem que têm se estabelecido, ele respondeu que “em alguns momentos e alguns lugares não se conseguiu criar uma consciência histórica”. A consciência histórica vem sendo conceituada desde muito tempo e uma dessas conceituações que me agrada bastante e que ajuda a pensar essa relação entre consciência histórica e conservadorismo é a do historiador alemão Jörn Rüsen, segundo o qual, no livro Razão Histórica, a consciência histórica seria “suma das operações mentais com as quais os homens interpretam sua experiência da evolução temporal de seu mundo e de si mesmos, de forma tal que possam orientar, intencionalmente, sua vida prática no tempo” (2001, p. 57).
    Para Rüsen, uma das características da consciência histórica é ser ela algo universalmente humano, ou seja, de acordo com ele, todos têm consciência histórica, seja qual for o contexto em que se vive. No entanto ele estabelece em sua teoria tipos diferentes de consciência histórica, que refletiriam as diferentes formas pelas quais os indivíduos mobilizam a memória da experiência temporal e conferem uma perspectiva temporal à sua vida prática. No artigo “O desenvolvimento da competência narrativa na aprendizagem histórica: uma hipótese ontogenética relativa à consciência moral”, ele propõe uma tipologia, segundo a qual a consciência histórica poderia se desenvolver de quatro formas diferentes: Tradicional, Exemplar, Crítica e Genética (impossível detalhá-los aqui de forma sucinta, rs). Esses tipos também podem coexistir em um mesmo indivíduo.
    Sendo assim, me parece que todos aqueles aspectos levantados pelo Rodrigo no programa, que historicamente fazem parte da formação da sociedade brasileira, tais como a violência; a religião; as várias imposições; a escravidão etc., contribuíram para a formação de uma consciência histórica de tipos Tradicional e Exemplar nos indivíduos que alimentam essa onda de conservadorismo. Embora sejam tipos pouco complexos de consciência histórica, ainda assim há uma consciência histórica. Ainda a meu ver, e pude confirmar um pouco disso durante o mestrado, o currículo de História e o modo como a História é ensinada, pelo menos nas escolas nas quais desenvolvi minha pesquisa, tem também contribuído para reforçar esses tipos pouco complexos de consciência histórica e como consequência disso, reforçar os conservadorismos.
    Desculpem por ter me alongado demais no comentário. Obrigada pelo excelente trabalho de vocês. Sigo ouvindo e indicando para todo mundo.

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    • Prezada Natália, obrigado por seu comentário e pelo esclarecimento! De fato, “consciência histórica” é um conceito complexo e que tem sido discutido de forma bastante sofisticada nas últimas décadas. O trabalho do Rüsen é mesmo fundamental e traz ótimos argumentos para o debate. Pensar em modalidades diversas de consciência histórica, assim como pensar em diferentes “regimes de historicidade”, talvez seja uma boa chave interpretativa. Seu trabalho sobre o currículo de História parece ser interessantíssimo! Gostaria de vê-lo! Mais uma vez obrigado! (Rodrigo)

      Curtido por 1 pessoa

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