DROPS #12

Fred Carvalho, artista e professor da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conversou com nossa designer Antonia Yunes para o episódio #9 do Passadorama: “Arte Torna Você Violento”. Na conversa, entre outros assuntos, ele aborda a diferença entre vanguardas artísticas e arte contemporânea, além das relações entre arte e política.

1 comentário

  1. Oies,

    eu resolvi transcrever um trecho da entrevista, porque eu queria pegar uma frase específica. Aí pra não perder o trabalho, vou deixar aqui no comentário.
    Perdoem-me vírgulas mal colocadas (tenho mania de vírgulas haha)

    [25’54” ~ 28’58”]
    A gente tem talvez, hoje, dois grandes lugares de produção de cultura. Um é a cultura mais douta que está ali nos colégios, sobretudo nas universidades, e a gente tem uma outra cultura que é essa cultura popular, que é a cultura que vem da periferia que eu acho que nos últimos, sei lá, 30, 40 anos ela vem ganhando uma preponderância maior na sociedade ditando mais ritmos, modas, maneira de ser, maneira de agir, novos corpos, novas formas de performar na cidade.
    Isso a gente vê que vem bastante de classes que passam dificuldades, que não tem nenhum olhar do sistema político e etc para com elas. E elas conseguem produzir e conseguiram produzir uma mudança sem precedentes na cultura nos últimos 40 anos.
    É notório, então, a gente ver não por agora, mas eu acho que na história que, primeiro lugar, se você quiser subjugar um povo você não só tem que ganhar a guerra, mas você tem que agir na cultura. E uma das maneiras de agir na cultura, primeiro é expropriar, tirar, degradar a cultura, não deixar que ela promova. A partir disso, isso eu acho que é o segundo ponto, depois você tem que, ao você não deixar que essa cultura floresça, aconteça, você impõe o outro.
    Eu acho que nós estamos vendo no país, claramente pra mim, é isso né. No primeiro momento foi a guerra, eles ganharam por uma estratégia que nós já sabemos qual e está aí no poder, e agora vamos ver o que vai acontecer.
    A segunda coisa, eles estão atacando os lugares que fomentam, os lugares que produzem, os lugares que são mananciais de cultura, tanto a douta quanto a popular. Eles vão atacar essas duas frentes severamente. E depois eles vão tentar impor uma outra cultura que é essa cultura que a gente sabe, que ela não tolera diferença, que ela pretende criar aí um conservadorismo radical.
    É por isso que estão aí numa guerra cultural.
    Dizer que a ideologia é só ideologia pseudo esquerda que eles estão falando, ou de maneira geral, qualquer posição é ideológica. Como eu sempre digo, qualquer objeto por mais simples que seja ele é ideológico-político. Não existe manifestação humana que não seja político-ideológico. As palavras, a maneira de se portar, a maneira de performar um corpo, enfim, aonde você mora, as relações, tudo faz parte de um contexto socio-político.
    Logo, basta que uma pessoa se coloque diante de outro que você já percebe ali todo um extrato político-ideológico, não precisa ela estar vestida. Ela pode estar nua. Uma pessoa nua você sabe que aquela ali teve mais tratamento, teve mais cuidado, alimentação. Então, o corpo é um corpo político sempre, e é nesse sentido que eu acho que a cultura ela é algo precioso e portanto ela vai ser alvo.

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